quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

DE(S)Moralizado I

Aliados históricos desde a segunda eleição presidencial pós-redemocratização, PSDB e Democratas (ex-PFL) vivem o incômodo dilema de estarem juntos ou não em 2010.
Os escândalos de corrupção no governo do Distrito Federal parece ter ruído o possível acordo que vinha se construindo entre as duas principais legendas opositoras nesses oito anos de governo Lula e que tiveram papel de destaque no “primeiro” escândalo de mensalão arquitetada por petistas e que envolveu parlamentares dos partidos da então base aliada do presidente. Foram os parlamentares dessas duas legendas que cobraram incasavelmente, durante o desenrolar do referido escândalo, a cassação dos mensaleiros e até mesmo do presidente petista.

DE(S)Moralizado II

Agora, o ex-lider do governo pessedebista no senado, o Democrata José Arruda, governador do Distrito Federal - acusado nos tempos do “carlismo” na Câmara Alta de violar o painel de votação - vem sendo investigado pela Polícia Federal de ser o grande mentor de um esquema de corrupção que envolve propinas que eram divididas entre secretários de governo, aliados e empresários, além do desvio de enormes quantias de recursos públicos para o pagamento de suposto “mensalão” para parlamentares distritais. Nada menos que cinqüenta pessoas, segundo a Polícia Federal, fariam parte do esquema.

DE(S)Moralizado III

Esse fato político compromete uma possível aliança entre tucanos e democratas? As últimas pesquisas de intenção de voto têm demonstrado uma tendência de crescimento da candidata oficial do governo, Dilma Roussef (PT), enquanto o líder das pesquisas, o governador paulista José Serra (PSDB), gradualmente vem perdendo pontos, o que pode resultar numa imediata decisão sobre quem será o candidato tucano para o pleito, pois tal paralisia decisória tem sido um obstáculo na busca de possíveis alianças. Somente o PPS de Roberto Freire até agora manifestou uma tendência em sair junto com um candidato tucano. Mas qual outro partido apoiara essa candidatura? Democratas? Antes do “escândalo do Panetone” sim. E Agora? Querem esse apoio os tucanos?

DE(S)Moralizado IV

Mesmo o DEM expulsando o governador do DF, o partido deu a munição que faltava aos governistas para rebater qualquer acusação no referente a conduta ético-moral de petistas e aliados nesses oito anos. Assim, pessedebistas devem pensar duas vezes antes de ter um aliado que “virou vitrine” num momento estratégico de definições de alianças e que até então tinha um papel relevante nessa possível composição. A entrega de cargos no governo do DF por parte dos tucanos pode ser um indício de que a máxima de “aliados, aliados, eleições à parte” pode prevalecer. Entretanto uma outra pergunta surge: abriria mão de um tempo significativo de tv e de inúmeros palanques que, até então, o partido de José Arruda pode oferecer à Serra, Aécio ou quem sabe até FHC? No mínimo, esse imbróglio político pode ocasionar a perda da possibilidade dos democratas indicarem um de seus quadros como vice na chapa encabeçada por um tucano.

DE(S)Moralizado V

Enquanto os petistas articulam de todas as formas para ter o PMDB como vice de Dilma, solapando a idéia da candidatura de Roberto Requião, e para isso devem prometer uma maior participação desse partido no (futuro?) governo e principalmente com representação significativa na coordenação de campanha governista; o tucanato tenta minimizar um escândalo protagonizado por um importante aliado e que deve ocasionar uma mudança radical nas estratégias do partido na quase que impossível busca de aliados até julho de 2010.

LULA E O PT: OS BONS SAMARITANOS





No meio a onda de escândalos envolvendo o governador do DEM José Arruda, o presidente Lula, assim como o PT optaram por um discurso mais cauteloso, sem o xiitismo que tanto marcou a legenda em anos não tão distantes assim. Apurar e investigar foram as palavras utilizadas pelos petistas, que até então fazia uma espécie de oposição pontual a Arruda e que viram aliados históricos como PSB e PDT ocuparem cargos importantes no governo do DF.
Essa “oposição” petista tinha seus dias contados, pois era de interesse do partido apoiar a reeleição de Arruda, numa espécie de “chapa branca”, tendo em vista que, se o quadro de alianças políticas não se alterar tucanos e democratas deverão compor a chapa que enfrentará a candidata de Lula no próximo pleito eleitoral. Destarte, a verticalização impediria que DEM e PT, adversários na esfera federal, viessem a compor juntos uma chapa em âmbito distrital.
A pergunta que se faz é porque o PT, historicamente tão competente em sua atuação no Parlamento e radical nas investigações em escândalos dessa natureza, está com um discurso estranhamente cauteloso num imbróglio político que não necessita mais de qualquer outra prova cabal que demonstrem o envolvimento de secretários de governo, empresários, assessores e do próprio Arruda, tendo em vista que as imagens gravadas com a permissão da justiça e mostradas diariamente nos mídias não deixam brechas para qualquer defesa plausível? Teria a mesma “piedade”, complacência ou cautela tucanos e democratas? Não! Os escândalos do “mensalão” em 2005 foi uma prova como dois blocos de poder político no Brasil travam um intenso debate objetivando o controle do aparelho estatal e que, mesmo com a obediência das regras democráticas por ambas as partes, fica evidenciando quando oposições ferrenhas e arranjos de manutenção da ordem política vigente são evidentes. Em outras palavras, a oposição governista não hesita em levar até as últimas conseqüências os deslizes cometidos pelos situacionistas, que por sua vez utilizam de um intenso aparelhamento institucional para edificar uma blindagem que os protejam de possíveis ataques dos opositores.
Entretanto, conforme o andamento das investigações e ao ficar evidente que os supostos acusados estão realmente envolvidos no esquema criminoso de corrupção, Lula e o PT serão cobrados pela opinião pública para que os mesmos tenham uma posição clara, republicana e principalmente que comungue com os princípios de zelo pelo bem público que antes os mesmos defendiam.

TRÂNSITO TRANSTORNO?


As mudanças de sentidos de algumas das principais ruas de Castanhal, promovida pela Secretaria de Transporte e Trânsito parece não encontrar a simpatia dos motoristas habituados a terem disponíveis a “mão dupla” em muitas delas. Da noite pro dia, ou do dia pra noite, os novos sentidos passaram a vigorar o que, em princípio, está deixando muito cidadão motorizado confuso e enfurecido.


Certamente, novas mudanças causam impactos iniciais. Logo os motoristas aceitarão as mesmas. Entretanto, quando novas regras são impostas numa sociedade dita democrática é necessário que o individuo seja conscientizado, no mínimo, sobre o porquê da mudança. Afinal, o estabelecimento de regras, sejam elas as mais democráticas, precisa ser devidamente esclarecido para o cidadão.